O Plenário aprovou nesta terça-feira o Projeto de Lei Complementar (PLP) 543/09, do
Executivo, que atribui poder de polícia às Forças Armadas nas áreas de fronteira
e cria o chamado livro branco, no qual devem ser detalhadas as
informações da política nacional de Defesa. A matéria, aprovada por 328 votos a
5 e 3 abstenções, deve ser votada ainda pelo Senado.
O projeto teve tramitação rápida devido ao regime de urgênciaRegime de
tramitação que dispensa prazos ou formalidades regimentais para que determinada
proposição seja votada rapidamente. Nesse regime, os projetos tramitam
simultaneamente nas comissões - e não em uma cada de vez, como na tramitação
normal. Esse regime está previsto no Regimento Interno da Câmara dos Deputados,
que prevê a necessidade de aprovação, pelo Plenário, de requerimento apresentado
por um terço dos integrantes da Câmara ou por líderes que representem esse
número.
Também podem pedir a urgência na tramitação de uma proposta dois terços
dos integrantes de uma das comissões que a avaliarão. Alguns projetos já
tramitam automaticamente em regime de urgência, como os que tratam de acordos
internacionais. aprovado pouco antes da sua votação. Com a
mudança na Lei Complementar 97/99, todas as Forças Armadas, e não apenas o
Exército, poderão realizar ações preventivas e repressivas na faixa de fronteira
terrestre, no mar e nas águas interiores contra crimes típicos de fronteiras,
como tráfico de drogas e crimes ambientais (tráfico de espécies protegidas, por
exemplo).
Uma emenda do deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) especifica que as
ações na faixa de fronteira poderão ser feitas independentemente da posse,
propriedade, finalidade ou qualquer restrição que recaia sobre ela.
Prisões
Além de fazer patrulhamento, os militares das
Forças Armadas poderão revistar nessas áreas pessoas, veículos, embarcações e
aeronaves, assim como fazer prisões em flagrante sempre que não houver policiais
presentes.
Para dar eficácia à atuação da Aeronáutica no controle do espaço aéreo
brasileiro, esse poder de revistar e prender em flagrante também será usado nos
casos da Lei do Abate (9.614/98). Essa lei já permite que a Aeronáutica
intercepte aeronaves sem autorização de voo ou suspeitas de levar drogas, armas
ou passageiros ilegais.
Livro branco
Os deputados incorporaram ao texto emenda do
líder do PPS, Fernando Coruja (SC), apresentada com base no PLP 547/09, do
deputado Raul Jungmann (PPS-PE).
A emenda cria o Livro Branco de Defesa Nacional, com o objetivo de dar
transparência à política e à estratégia de Defesa do País. De acordo com
Jungmann, presidente da Frente
ParlamentarÉ uma associação suprapartidária de pelo menos 1/3
dos integrantes do Poder Legislativo Federal destinada a aprimorar a legislação
referente a um tema específico. As frentes parlamentares estão regulamentadas
pelo ato 69/05, da Mesa Diretora.
Toda frente tem um representante oficial. As
frentes podem utilizar o espaço físico da Câmara, desde que suas atividades não
interfiram no andamento dos outros trabalhos da Casa, não impliquem contratação
de pessoal nem fornecimento de passagens aéreas. da Defesa
Nacional, "essa matéria coroa todos os avanços que a Casa conseguiu desde a
Constituinte quanto ao papel da Forças Armadas". Para o deputado, o livro
evitará que o Congresso seja alijado do debate do tema.
Deverão constar do livro branco dados referentes ao cenário estratégico do
século 21; à política e à estratégia nacionais de Defesa; à modernização das
Forças Armadas; e ao suporte econômico do setor.
De quatro em quatro anos, a partir de 2012, o Executivo deverá encaminhar ao
Congresso o livro branco, a política e a estratégia de defesa.
Estado-Maior Conjunto
O projeto também fortalece o papel
do ministro da Defesa e especifica que caberá aos tribunais militares o
julgamento de delitos de integrantes das Forças Armadas no exercício de
atividades subsidiárias, como a de ajuda em calamidades públicas ou a de
cooperação com órgãos federais na repressão a delitos de repercussão nacional e
internacional.
A proposta cria um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, subordinado
diretamente ao ministro da Defesa e chefiado por um oficial-general de último
posto. O órgão terá a participação dos chefes dos Estados-Maiores das três
Forças — Exército, Marinha e Aeronáutica.
Segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, as mudanças adequam a lei à nova
Estratégia Nacional de Defesa, aprovada por meio do Decreto 6.703/08. Jobim
argumenta que as mudanças darão mais autonomia ao ministério para gerir
políticas setoriais em relação a armamentos, comunicação e protocolos
militares.
Veja
como votou cada deputado.