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02-06-2009
02/06/2009 - Incentivos ao combate as drogas no Brasil
O SR. CIRO NOGUEIRA (PP-PI. Pronuncia o seguinte discurso.) - 
 
Senhor Presidente, Senhoras Deputadas, Senhores Deputados,

 

Vejo que grande parte dos parlamentares que estão aqui têm ou tiveram filhos adolescentes. Quem é pai, como eu, ou mãe, sabe a preocupação que nos desperta a violência e o assustador índice do consumo de drogas e álcool no País.

Manter os nossos filhos longe do perigo das drogas, especialmente na periferia, é um exercício constante em muitos lares. Por isso, nos deixa muito chocados a disparidade que há na aplicação de recursos em muitos setores sociais.

As ações de combate ao consumo de drogas recebem parcos recursos, enquanto o sistema prisional, por exemplo, demanda cada vez mais investimentos. Estudos indicam que muitos crimes são cometidos quando a pessoa está sob efeito de drogas, álcool ou substâncias alucinógenas.

Não seria, então, coerente, se investíssemos mais em campanhas educativas e de prevenção ao uso de drogas, ou seja, na raiz do problema?

Nos próximos meses, o governo federal deverá aplicar R$ 30 milhões no combate ao uso de drogas – muito pouco, diante dos danos provocados por essas substâncias em nossa sociedade.

Senhores parlamentares, o Brasil gasta quase R$ 600 milhões por mês para manter os presos, ou seja, todos os anos o sistema prisional consome cerca de R$ 7 bilhões.

Um preso federal custa cerca de R$ 4 mil por mês e um detento estadual custa até R$ 2 mil. Os investimentos para combate ao consumo de entorpecentes iriam diminuir o grande número de presos e os gastos no País. É um investimento para o futuro.

Tornou-se comum ouvirmos nos noticiários que o número de jovens que consomem drogas vem aumentando. Em média, o brasileiro começa a fumar maconha a partir dos 13 anos, enquanto na Argentina, por exemplo, os jovens começam a usar drogas aos 15 anos. Ou seja, nossos adolescentes estão entrando cada vez mais cedo no mundo das drogas.

A pergunta que faço não é como acabar com a droga, mas como conviver, como reduzir o dano que a droga causa?

As drogas são a maior tortura da humanidade. E como é difícil combatê-la! Apesar da dificuldade de bani-las da  sociedade, acredito que cada um deve fazer a sua parte, alertando seus filhos para o perigo de consumi-las.

A Câmara dos Deputados, por intermédio da Frente Parlamentar Antidrogas, da qual faço parte, vem fazendo a sua parte, promovendo debates, cobrando recursos, enfim. Tenho plena convicção de que o trabalho realizado por essa Frente não irá medir esforços para realizar, com eficiência, um maior incentivo ao combate do uso de drogas no Brasil, com o envolvimento de órgãos públicos, iniciativa privada e organismos sociais.

Nós precisamos entregar à sociedade brasileira uma política de combate as drogas, com a esperança de que a promoção da saúde, o respeito dos direitos humanos e a inclusão social transformem-se em metas para todos.
Para encerrar, Senhor Presidente, quero mencionar a reunião realizada na semana passada pela Frente Parlamentar Antidrogas com o ministro da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e General Jorge Armando Felix. Eu estive nesse encontro, juntamente com outros 27 deputados e anotamos a disposição do General Félix na luta pelo fim do consumo de entorpecentes no Brasil e pelo resgate de milhares de jovens da penosa condição de usuários.
Acredito que as campanhas para combater as drogas em nosso País irão nos ajudar a diminuir os gastos com tratamentos de dependentes químicos e, principalmente, reduzir os gastos com os sistema carcerário brasileiro.

Era o que tinha a dizer. Obrigado, Senhor Presidente.


Fonte: Ass. Com.