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15-07-2009
15-07-2009 - Ciro enfatiza disparidade na distribuição de especialistas na área médica

O Senhor Deputado Federal CIRO NOGUEIRA (PP-PI) pronuncia o seguinte discurso:

Senhor Presidente, Senhoras Deputadas, Senhores Deputados, o Brasil tem tradição no ensino de Medicina e conta com um considerável contingente de médicos. Um artigo do jornalista Arimatéia Azevedo publicado nesta terça-feira me chamou a atenção, e por isso venho à tribuna da Câmara para enfatizar um problema que tem me preocupado: os especialistas que saem das universidades públicas estaduais e federais não estão distribuídos de forma equilibrada pelo território nacional. 
As principais carências regionais do sistema público de saúde estão nas especialidades de cancerologia, medicina intensiva, neurologia, anesteseologia, pe­diatria e medicina da família e comunidade. Essas áreas com maior carência no Brasil são as que o governo desenvolve políticas públicas de saúde, como o programa Saú­de da Família 
A maior parte dos recém-formados se encaminha para atividades de procedimentos médicos, como cirurgia, radiologia, diagnóstico por imagem e aplicação de botox, entre outros, e não para as especialidades clínicas, gerando um déficit desses especialistas. Podemos afirmar que esse interesse voltado mais para área estética é devido à questão salarial. O Brasil precisa rever os salários pagos para os profissionais da rede pública de saúde.
Não só o meu Estado, o Piauí, mas todo Brasil sofre com essa disparidade na distribuição de especialistas e com a falta de mão-de-obra para trabalhar onde  a população mais necessita.  
Chamo a atenção do governo federal, principalmente dos Ministérios da Saúde e da Educação para que possam defi­nir as vagas para as especializações, de acordo com as necessidades regionais do País. Precisamos de uma medida, a curto prazo, para tratar do desequilí­brio  na distribuição de especialistas na rede pú­blica.
O governo federal e as universidades federais e estaduais precisam agir como in­dutores na formação de médicos especialistas, isto é, planejar as vagas de acordo com a necessidade de cada localidade para  diminuir  o  mencionado   desequilíbrio regional no País.
Segundo relatório da Comissão Interministerial de Gestão da Educação na Saúde as maiores partes dos profissionais estão concentrados no Sudeste, onde há 134 mil profissionais em exercício. Já no Norte, existem pouco mais de dez mil especialistas. Ao mesmo tempo, a oferta de formação também se concentra na região Sudeste, com 60% das vagas para residentes. No Norte, estão 3%; no Centro-Oeste, 7%; no Nordeste, 14%; e no Sul, 16%.
O Brasil necessita de um trabalho em conjunto com os ministérios da Educação e da Saúde para que haja uma distribuição igualitária  dos profissionais da saúde em todo o Brasil.   Da mesma forma,  as universidades precisam se preocupar em melhor orientar os estudantes de medicina, para que  estes  não  pensem somente  no aspecto financeiro da profissão que irão abraçar. Os médicos   devem ter a sensibilidade  de que a profissão exige  comprometimento e de que ela ainda representa consolo e melhoria da qualidade de vida para milhões de brasileiros desassistidos.
Desta forma, acredito que poderíamos evitar os desequilíbrios que o Brasil está vivendo.
Para encerrar Senhor Presidente, quero parabenizar os médicos do Piauí, que mesmo com a falta de recursos humanos e materiais conseguem prestar um bom atendimento a população piauiense. No ano passado, os Ministérios da Educação e Cultura divulgaram o resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes e os cursos de Medicina do meu Estado ficaram entre os melhores do País.

Muito Obrigado, Senhor Presidente


Fonte: Ass. Com.