Pré-Sal
Câmara aprova o projeto de capitalização da Petrobras
O Plenário aprovou, nesta terça-feira, o substitutivo do deputado João
Maia (PR-RN) ao Projeto de Lei 5941/09, do Executivo, que permite à União
vender à Petrobras, sem licitação, o direito de explorar até 5 bilhões de
barris de petróleo e gás natural em áreas ainda não concedidas do pré-sal.
O termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas no fundo do mar com
potencial para a geração e acúmulo de petróleo localizadas abaixo de uma
extensa camada de sal. Os reservatórios brasileiros nessa camada estão a
aproximadamente 7 mil metros de profundidade, em uma faixa que se estende por
cerca de 800 km entre o Espírito Santo e Santa Catarina.. O projeto autoriza o
governo a participar do aumento de capital da empresa. As emendas e os destaquesMecanismo
pelo qual os deputados podem retirar (destacar) parte da proposição a ser
votada para ir a voto depois da aprovação do texto principal.
A parte destacada (artigo, inciso, alínea) só volta a integrar a
proposição se for aprovada nessa votação posterior. Nesse caso, os interessados
em manter o trecho destacado é que devem obter o quorum necessário à sua
reinclusão no texto. Podem requerê-lo 10% dos deputados (51) ou líderes que
representem esse número. Nesse caso, é chamado destaque de bancada. ao
texto serão votados nesta quarta-feira (3).
O pagamento do petróleo pela Petrobras e o aumento de capital serão
operações realizadas com títulos da dívida públicaDívida contraída pelo governo
para financiar gastos não cobertos pela arrecadação de impostos e para alcançar
objetivos da política econômica, como controlar o nível de atividade, crédito,
consumo ou captar dólares no exterior. A dívida pública pode ser interna ou
externa..
No caso do aumento de capital, o substitutivo deixa claro que os
acionistas minoritários da Petrobras não poderão usar recursos das suas contas
individuais do FGTS para comprar as novas ações na proporção que lhes couber. Esse
é um dos pontos mais polêmicos do texto, pois isso foi permitido na época de
abertura do capital da empresa e de quebra do monopólio da exploração do
petróleo, em 1998.
Esse aspecto do aumento de capital (conhecido como subscrição) não
constava do projeto original e foi muito discutido na comissão especial sobre o
tema. Os defensores do uso do FGTS para a compra de ações argumentam que essa é
a melhor forma de garantir, ao acionista minoritário, a participação no aumento
de capital. Já os partidários do uso apenas de recursos próprios defendem que o
fundo deve ser destinado aos programas habitacionais e a outras atividades
sociais.
Contrato de cessão
Como a União é a proprietária dos campos de petróleo, a exploração do
equivalente a 5 bilhões de barris de petróleo e gás será feita por meio de um
contrato de cessão. Ele deverá especificar a delimitação geográfica das áreas
cedidas, o valor e as condições de pagamento e quando poderá ser feita a
revisão dos seus termos, principalmente por causa dos preços de mercado do
petróleo.
Emendas
Apenas duas das 15 emendas apresentadas em Plenário nesta terça-feira tiveram
parecer favorável do relator. De autoria dos deputados Daniel Almeida
(PCdoB-BA) e Betinho Rosado (DEM-RN), as emendas têm igual teor e permitem que
a Petrobras pague parte dos 5 bilhões de barris de petróleo com campos
terrestres de exploração já "madura", assim considerados por
apresentarem produção decrescente.
A emenda estabelece que o pagamento feito dessa forma poderá ocorrer no
montante equivalente ao valor de mercado de até 100 milhões de barris de óleo
ou gás. Os campos deverão ser avaliados por entidades certificadoras, que farão
a estimativa do petróleo recuperável e o seu valor.
Os campos serão direcionados a nova licitação, a ser feita pela Agência
Nacional do Petróleo (ANP), da qual poderão participar empresas independentes
de pequeno e médio porte.